Bill Hybels, da Willow Creek, se aposenta após acusações de “má conduta”

Megaigreja de fama internacional agora será liderada por uma pastora.

Bill Hybels, fundador e pastor sênior de uma das maiores megaigrejas dos EUA e uma das mais famosas do mundo, a Willow Creek, anunciou sua aposentadoria. Ele renunciou ao cargo após ser acusado de “má conduta” e “comportamento indevido”.

Uma investigação foi realizada de modo independente para apurar os fatos e Hybels foi inocentado, mas deixou claro que isso lhe custou caro. No ano passado, ele havia anunciado que faria a transição para uma nova liderança em outubro de 2018, mas nos últimos meses surgiram acusações de que ele teria um “comportamento indevido” em relação a algumas mulheres da igreja, mas não há provas substanciais disso, apenas o testemunho de cinco pessoas.

Ao anunciar que deixaria o cargo de pastor da megaigeja que reúne mais de 25 mil pessoas todos os domingos no seu templo, em Chicago, reiterou que as acusações eram “enganosas e totalmente falsas”.

“Eu fui acusado de muitas coisas que eu nunca fiz”, afirmou ele diante dos fiéis, ressaltando que o processo todo foi “extremamente doloroso” para ele e sua esposa Lynne. Ele decidiu deixar o cargo agora para permitir que os demais líderes da Willow Creek tenham a “liberdade de levar adiante a importante missão que Deus lhes deu”.

“Está cada vez mais claro para nós que a liderança [da igreja] não consegue usar seu pleno potencial enquanto seu valioso tempo e atenção estão divididos.”

Hybels fundou a igreja em 1975, com um pequeno grupo. Em poucos anos a igreja teve um crescimento “explosivo”, se tornando uma das maiores dos EUA. O ministério se tornou mundialmente conhecido através dos livros escritos pelo pastor, traduzido para dezenas de línguas, e também pelos eventos do Global Leadership Summit, que oferece um treinamento anual de liderança transmitido para muitos países, inclusive o Brasil.

O pastor também de afastará das atividades no Summit, do qual era apresentador e fez questão de frisar que “A decisão foi minha, depois de muita oração”.

Acusações sem provas

A renúncia de Hybels foi anunciada menos de um mês após a publicação de uma reportagem do jornal Chicago Tribune, que detalhava a suposta “conduta imprópria” do pastor em relação a cinco mulheres.

O material publicado pelo Tribune incluiu acusações de “conversas inapropriadas, abraços prolongados, um beijo indesejado e convites para quartos de hotel”. Uma das mulheres, que era casada, afirmou ter mantido um caso extraconjugal com Hybels, mas acabou voltando atrás quando foi investigada pela comissão da igreja.

Uma das mulheres que acusava Hybels trabalhou com ele na Willow Creek como pastora do Ministério de Ensino. Suas acusações remetiam ao que ela considerava “atitudes inapropriadas” por parte de seu líder em viagens que fez ao seu lado em 1998 e 1999.

O escândalo que abalou a Willow Creek veio à tona na esteira da onda de denúncias de abuso contra produtores de Hollywood, no movimento MeToo. Isso teve repercussão no meio eclesiástico, com algumas igrejas vendo o nome de seus líderes envolvidos em acusações.

O que chama atenção no caso de Bill Hybels é que não havia provas consistentes. Ele sempre negou todas as acusações. Chegou a acusar um grupo de ex-líderes da igreja de querer “prejudicar sua reputação” antes de sua aposentadoria planejada para outubro.

Em seu discurso de despedida, nesta terça-feira (9), ele lamentou ter reagido às acusações com raiva, pois se sentiu atacado. Disse que tentou o diálogo com seus acusadores, mas que desde então procura “entender o que Deus quer me ensinar em tudo isso”.

Os membros do Conselho de Willow Creek, responsável pela direção da igreja, explicaram à congregação que não havia “má conduta” por parte de Hybels, algo determinado após investigações internas e externas, que procurou ouvir a todas as acusações.

Com efeito imediato, Heather Larson assume como pastora sênior da Willow Creek e Steve Carter será o pastor de ensino. Hybel continuará frequentando a igreja, mas apenas na condição de membro. 

Com informações Reuters e Christianity Today

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