Torturado por oficial chinês ouve: “Cristo te ensinou a me amar”

Um cristão chinês, que foi preso no início deste mês apenas por participar de um culto na sua igreja, relatou em uma carta a tortura e a zombaria que sofreu na cadeia. Enquanto um oficial lhe agredia, insistia que Jesus mandava “amá-lo”.

A missão ChinaAid, que monitora a perseguição aos cristãos no país comunista, divulgou uma versão em inglês da carta assinada pelo seminarista Song Enguang. O jovem é um dentre os milhares de cristãos presos recentemente pelas autoridades chinesas, que tentam reprimir as manifestações religiosas em todo o país.

Ele e sua esposa estavam em culto na igreja Early Rain Covenant, na cidade de Chengdu. Ambos foram presos. Segundo o pastor da igreja, Wang Yi, logo que o seminarista foi levado a uma “câmara de interrogatório” dentro da delegacia, pediram que ele confessasse que é um pregador.

“Um guarda me arrastou para o canto da sala, gritando comigo, fez eu me agachar. Um policial tirou meus óculos e bateu várias vezes na minha cabeça. Eu estou aqui há algum tempo, foi um interrogatório brutal”, escreveu ele na carta que enviou à sua igreja.

“Eles me xingaram e me empurraram. Revezaram-se enquanto me machucavam”, acrescenta. Enguang disse que depois de um tempo foi levado a um oficial que dizia ser “seu líder”. Esse homem, que não revelou o nome, fazia perguntas sobre a Bíblia enquanto batia nele.

“Eu li a Bíblia”, disse o líder. “A igreja batiza por imersão ou aspersão. Qual você defende?”. O seminarista revela que respondeu “Imersão” antes de o homem prosseguir.  “Li a Bíblia várias vezes e não entendo tudo. Você tem pais?”, argumentou.

Ao responder que “Sim”, Enguang foi questionado: “Quem criou você?”. Ele afirmou “Meus pais me deram à luz”. O torturador então se enfureceu e gritou: “Deus criou você”.

A partir de então começou a bater em seu rosto: “Se alguém bate em você em uma face, o que vem a seguir?”. O cristão respondeu: “Ofereça a outra também”. O tal líder continuou batendo nele e perguntava: “Em que livro está isso?”. Quando o jovem afirmou: “O Livro de Mateus”, ouviu então: “Qual capítulo?”.

O homem não parou de bater nele, enquanto afirmava: “Eu vejo raiva em seus olhos, Cristo te ensinou a me amar, você não deveria se irritar”.

Na carta detalhando seu sofrimento, o seminarista disse que apanhou mais de 30 vezes, mas não negou a sua fé e ainda pregou o Evangelho aos guardas. “Naqueles momentos, eu tinha certeza de que meu Salvador estava comigo, que Ele é o único em quem podia confiar, pois Deus nunca me abandona”, escreveu.

“Quando fui espancado, a imagem de Cristo sendo espancado pelos soldados apareceu vividamente diante de mim. Consegui entender por que os apóstolos começaram a espalhar o Evangelho novamente imediatamente depois de serem perseguidos”, encerrou o jovem.

O pastor Wang Yi disse que o seminarista e a esposa foram libertados e pedem orações para que consigam levar adiante seus projetos de evangelização.

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